Inesperado, assim como apareceu na esquina, o deproide Eson Wisoj desapareceu nos movimentos das lancambus que eu jurava avistar nas imediações distantes do Hospital Tsahto Solex. O fascínio por estar naquela esquina ou por ter de certa forma a descoberto me inclinava aos molengos de um indolente. Procurei não me deixar levar aos paraísos postiços. Infiltrava-me a ideia embaralhada aos sentimentos de que encontraria outro liboririntáqueo antes que eu fosse embora daquela esquina. Era como se eu estivesse em uma janela esperando que algum conhecido passasse na rua. Olhei à frente, à esquerda, à direita.
À esquerda a Rua Koaat se curvava para o que me parecia ser um quadrante. Se o que se afigurou fosse verdadeiro a cidade de Nesemix teria o formato de um círculo.
À direita a Rua Cramenyl se espichava demasiadamente, o que me sugeria que o fim, qualquer fim, aproximar-se-ia das conveniências individuais.
À frente dos meus olhos a imensa árvore metalizada que abastecia de sombras aquela esquina aconchegante se mexeu. O movimento da árvore ocasionou uma ventania que balançou os meus cabelos. Pensei no início, qualquer início, na vida e na juventude. Desejei saber tocar um instrumento musical. Piano? Meu coração era cordas, teclados e caixa de ressonância. A árvore se agitou outra vez. Suas folhas metalizadas sumiram. Os galhos secos escreveram na amplidão da madrugada a aridez.
Sem ter onde se esconder o onírico liboririntáqueo Godigodi Osu caminhou em minha direção após descer habilmente dos galhos mais altos da árvore. Sem travas nas palavras e de quando em quando se mostrando inadequado às leis da lógica o rubro ser foi logo me perguntando:
- Que drunh é hoje?
Observei que Godigodi Osu se vestia com trajes rotos e que possuía uma maltrapilha valise.
- Vamos, esperador duoef, diga-me que drunh é hoje?
Eu não tinha certeza absoluta nem da quantidade de drunhs que eu estava em Liboririm como iria saber qual drunh era aquele? Mesmo porque até aquele instante ninguém me dissera os nomes dos drunhs.
O silêncio se agigantou diante da breve pausa sonora de Godigodi Osu. Finalmente ele se manifestou.
- Uma samenoa contem nove drunhs. São eles: Insegogu, Setergu, Traregu, Inquagu, Txetagu, Abatxegu, Minodgu, Turaydo e Dosugno.
Mais palavras que se agarrariam à minha memória. Sentei-me na lolesboquia. Eu respirava de maneira vertiginosa. Reparei nas feições de Godigodi Osu. Seu semblante era de um jovem, praticamente uma criança.
- Respirável duoef, sou Godigodi Osu, o nubagan da árvore. Há quem me considere um mendigo sideral. Não acredito que eu seja cintilação ou anjo. Pus-me em posição contrária àquela em que me encontrava. Virei um mendigo após perder tudo o que desfrutava em um incêndio e em jogatinas. Vivia na marafa. Eudaips, então, enviou-me um sinal. Uma voz íntima e constante me levou ao Liboririm que a minha mãe me dera no drunh anterior ao drunh da sua Hetrotadem. Li e interpretei o Livro de Eudaips. Meus vazios deram lugar às interrogações que por sua vez levaram a minha alma às reflexões. O espirituoso duoef se acha no lugar errado?
Outra pausa sonora de Godigodi Osu. De novo o silêncio cresceu. Enquanto os embaraços circulavam no meu mundo de dificuldades o nubagan da árvore me mostrou o seu exemplar do Liboririm. Mal terminei de folheá-lo ouvi de Godigodi Osu o seguinte pedido:
- Abrace-me Rúbio Talma Pertinax.
A minha paralisia se cobriu de ausências dos medos. A minha alma atingiu com as reflexões o equilíbrio e a serenidade. A felicidade assim feito o Dosugno começou a amanhecer em Nesemix.
A imensa árvore se mexeu. O movimento da árvore dessa vez fez com que regressassem aos galhos as folhas metalizadas. A árvore ficou úmida.
Abracei Godigodi Osu me entendendo um intermediário entre os descendentes daquele liboririntáqueo e os seus ascendentes remotos. Meu coração se juntou à felicidade. Ouvi acordes procedentes dos pianos dos sóis de Liboririm.
- Por mais que a solidão se esmere em ser absoluta e a espera me prive do encontro não me sinto no lugar errado. -escrevi a resposta da pergunta que o nubagan das árvores me fizera. Varvot, o zvaolac, retornou à esquina. Godigodi. Godigodi Osu recolheu do sereno o meu bilhete guardando-o na sua maltrapilha valise. Varvot transportou o nubagan às árvores das margens mais porvindouras do Rio Ojand.
