Depois das homenagens de despedidas que se estenderam por toda a madrugada o sono não me abandonou. Apenas suprimiu as minhas atividades perceptiva e motora voluntária por vários overebuts. Ferrei-me no sono. Dormi a sono solto.
Meu sonho se inclinou ao mar amalgamado às cores verde e cinza. Mar desértico sob um céu branco desprovido de nuvens e pássaros. O infinito solitário se propagava na ausência de embarcações. Nada navegava nas águas. Nas profundidades do pleno mar constatei nas imagens sequenciais do meu psiquismo a ausência de peixes, plantas, organismos unicelulares, rochas, vermes, simbioses bacterianas, submarinos, Atlântidas e Titanics. Por toda a madrugada o sonho me acompanhou até que os raios dos sóis do Planalto dos Metais iluminaram a cidade de Nesemix. A claridade balançou os meus olhos leves. Acordei a me lembrar das partes do sonho.
Ao me levantar fui à cozinha. Na mesa de aço e carbono um simples, saboroso e nutritivo desejum me esperava. Assim que terminei a refeição inicial do drunh notei que a minha fome e sede não acordaram desesperadas. Ao mastigar, engolir e beber o que me fora servido fiquei convencido que a mastigação pouco se aproximou dos dentes, que ao fazer a engolição pouca comida passou da boca para o estômago. Ao ingerir o suco de quatapira servido em cálice meu aparelho digestivo permaneceu, bem-estar, desobstruído. Intuí que as células foram nutridas e alimentadas com micronutrientes necessários: ferro, zinco, vitamina A.
As imagens do mar solitário retornaram à minha mente. Bem disposto corri a uma das janelas. Parecia louquice. Temi que o mar estivesse inserido na paisagem que a janela me mostraria. Vi Nesemix banhada pelas luminosidades dos sóis. Uma vez que havia me acostumado à impossibilidade de enxergar os liboririntáqueos em grandes quantidades atentei-me á construção civil liboririntática. Deslumbravam-me os prédios avançados, as casas adicionadas às essências de outras casas. Era como se a janela mais bonita de uma casa pudesse estar na porta menos bonita de uma outra casa. A estes adicionamentos arquitetônicos minha visão tinha acessos em todas as suas inteirezas.
- Foi um sonho. O mar nem existe aqui em Liboririm. -falei para mim mesmo ao me afastar da janela e enfiar um tanto quanto por acaso a mão no bolso da calça.
Meus dedos tocaram no cartão de metal branco que a nalewinc Tina Arcale me dera no drunh anterior. Foi imediato. Ajeitei-me em uma outra roupa. Saí de casa. Desejei ir ao Hospital Tsahto Solex. Queria saber notícias de Zanlog Romua, o tlipdodny.
Até hoje gosto de caminhar. Poderia ter esperado um yotolac. Ele não demoraria a passar. Poderia ter contratado o serviço de um baxatic. Ele seria mais rápido. Preferi caminhar até o hospital. Na caminhada percorri um trajeto constituído de retas, subidas e curvas. Ao vencer uma passagem estreita cheguei a um largo, uma praça.
O Hospital Tsahto Solex, construção imponente, prorrompeu-se à frente. Introduzi-me ao saguão da espera. De dentro da solidão oceânica da visibilidade indispensável e prometida deparei-me com uma reizafrowr da Ordem das Eudapsianas. De um básico pedido de informações nasceu uma revelação, uma conversa sincera. A reizafrowr se chamava Biuu Romua e era irmã de Zanlog Romua.
- Ele me transportou à casa onde estou morando. Começou a sentir dores no langiver. Chamamos o atendimento médico...
- Amigo duoef, meu confiante irmão me falou sobre vós. Fizestes o caminho da descoberta a pé por teres fé. Está escrito no Sagrado Livro Pequeno, o Liboririm, que Eudaips certa vez ao se encontrar com uma liboririntáquea desenganada e amargurada lhe disse: "FILHA, TEM CONFIANÇA E PACIÊNCIA QUE A TUA FÉ TE CUROU!". As notícias que a vós darei duoef não são alvissareiras. Meu irmão Zanlog Romua não resistiu à cirurgia no langiver. Executou com coragem a Hetrotadem, caminho para a redescoberta. Foi conduzido pelas mãos pacientes de Eudaips. Agora ele dorme o seu último sono.
