12º DRUNH / QUEM ABDUZIDO É QUER CASA

Remexido pela mão do tempo liboririntático me afastei da relojoaria e me liguei ao cansaço que as passagens dos drunhs me causava. Sem perceber a cor do meu olhar eu caminhava para trás. Visualizava mentalmente o ínfimo ponto em que se transformara a relojoaria de Cobis Rulan. Preenchia-me de esperança a cada distância percorrida. Atravessava lugares em Nesemix que nem se eu tivesse a imaginação de um escritor poderia supor que tais locais existissem e ainda por cima se convertessem no senhorio do meu destino.
Um jardim público arborizado recebeu os meus passos. Densas nuvens se aproximaram do solo. Um nevoeiro se formou. As árvores inversas foram banhadas com brilhos fantásticos. A visibilidade daquele cenário relumbrante me reduziu à insignificância. Sentindo-me reles não deixei de caminhar e não me preocupei em averiguar se naquele tempo liboririntático eu caminhava outra vez para a frente. Aos poucos os brilhos desestimularam a escuridão de agir. De repente os sentimentos de obscuridades pararam de me visitar. Percorria as clarezas movido por um firme propósito de chegar ao lugar nenhum, à pindaíba de qualquer posto.
- Não seja tolo Rúbio Talma Pertinax! Não provoque o nenhures, o alhures e o algures.
Arrepiei-me. Quem poderia ser o dono daquela voz enfurnada na nebulosidade? Rápida feito uma resposta na ponta da língua a voz desconhecida continuou a trabalhar.
- Nevoado duoef, apresente-se ao nidepe. Venha ao meu encontro. Norteeis com a vossa necessidade de abrigo e com a essência propulsora do meu profissionalismo.
Intuitivo caminhei em direção do vulto sentado em pedras de fogo. A figura ainda  indistinta parecia ter vindo do fundo do nevoeiro. Eu me via uma superfície limitada preso a uma área cáustica. Ou seja: embora a voz arrepiante tenha me convidado a uma interação eu me julgava impertinente, importuno. Em compensação não poderia recusar respostas que me ajudassem a resolver a minha necessidade de ter um teto.
- Cliente duoef, não tendes medo. Sou um simples tlipdodny. Pertenço à Associação Liboririntática de Dnymohanics - Seção Nesemix, a ALD-SN, desde o konast 1962. Estou aqui para atender aos seus interesses e benefícios.
Houve um momento no parque nevoento - e um sentimento me diz que esse momento é o agora -  que me juntei às pedras de fogo, que me pareciam ser câmaras de fogo. Nelas estava Zanlog Romua, o tlipdodny. Antes de vê-lo penetrei em viagem rente ao destino rumando-me para a minha casa no planeta Terra, América do Sul, Brasil, São Paulo. Abri a porta de entrada. Entrei e assisti a cozinha se mexer. Afaguei a sala ligando o aparelho de som. Corri pelos quartos tocando meus olhares nos travesseiros, fronhas e lençóis. No banheiro escovei os dentes, lavei o rosto dos delírios e ao me achar no espelho desusado retornei a Nesemix. O nevoeiro desaparecera. Os sóis do Planalto dos Metais me mostraram o rosto envelhecido e jovem do tlipdodny.
- Sou Zanlog Romua. Iniciei a minha carreira como tlipdodny ainda adolescente. Nunca quis apenas conduzir abduzidos ou mesmo liboririntáqueos às moradias. Sempre quero apresentá-los aos imóveis da melhor maneira possível. Estou em vossa presença na condição de conveniado e colaborador do Governo Liboririntático. Devo vos conduzir ao imóvel que será a vossa moradia em Liboririm.
Nem bem Zanlog Romua terminou os seus dizeres as câmaras de fogo brotaram no chão levando o tlipdodny a se erguer e a se colocar à minha frente. Ele era de baixa estatura. Seus olhos luzidios não se prendiam às paisagens técnicas, burocráticas. Preferiam ser iluminados e clarear os aspectos comportamentais do próprio tlipdodny. Franqueza e dinamismo eram as suas características principais.
- Exclusivo duoef, vamos caminhar um pouco. Vou levá-lo à vossa casa. Acompanhe a minha mão foguenta.
Agitado pelo tempo liboririntático e pela mão em chamas do corretor de imóveis cheguei perto da casa e do descanso. Caminhávamos olhando para o lado dianteiro das coisas. Em alguns dos nossos passos tive certeza que estávamos sendo teletransportados. No caminho concebi imagens de cada detalhe da casa onde eu iria morar durante os 143 drunhs que me restavam em Liboririm. Tentava me preencher de esperança a cada passo conseguido.
- Semovente duoef, eis a vossa morada, a vossa vivenda! O que achastes da casa?