Levantei-me. Aprumei-me sem estar antes deitado ou sentado. A sensação do aprumo me estimulou a mentalmente diminuir o volume do Aparelho Xaraq que transmitia sons estrídulos. Vozes se expressavam em uma linguística estranha, incompreensível. Rumbo Lone permaneceu calado até o término da transmissão das vozearias. O meu espírito estava intrépido, nítido, santo, substancioso. Um perfume delicioso se espalhou com franqueza pelas interioridades do disco voador.
Súbito o silêncio dominou o Aparelho Xaraq e moveu pela última vez a aeronave extraterrestre, que principiou a exibir múltiplas portas. Por uma dessas portas, sem despedidas ou sinais afetivos, muito menos saudades, o abdutor em círculos se retirou da nave espacial na mesma ocasião em que o que estava para acontecer fez despontar no aviso nenhum que li aquela que era real: um ser feminino que parecia proceder dos sonhos. Com velocidade, agilidade se aproximou do meu corpo. Notei que trazia consigo um mapa de cristal e silicone incrustado em uma moldura luminosa de metal fosco.
- Vossemecê terráqueo, eis a sua Linha Trilha, o mapa do seu percorrido caminho. Examine pacientemente as inscrições contidas nas estrelas. Analise o percurso com equilíbrio. Reflita sobre os impérios do infinito. Sou Ânya Ydyug, a replitáquea Encarregada do Setor de Negócios da Recepção. Fui fabricada pela Corporação Rakpecak. Pertenço à Geração REI+PO. Minha missão é conduzi-lo à presença do Doutor Rolzi Stemkiv, o bacteriologista e infectologista. Te conduzirei aos exames médicos, Rúbio Talma Pertinax, assim que vosmecê findar a aplicação dos significados da Linha Trilha no seu espírito, memória e inteligência.
Recebi da Encarregada o mapa. Nele também estava escrito que o perfume que se espalhara pelos ambientes da ALAOT-155 fora extraído das asas de um dos anjos das Pressagias.
- Daqui a alguns drunhs você haverá de conhecer um desses anjos.
O mapa se colou à minha pele e à minha mente de modo tão visceral que as minhas atenções e sentidos, emoções e razões se entregaram ao esquadrinhamento do quadro sinóptico. Durante a minha concentração nos brilhos da carta espacial a recepcionista permaneceu em silêncio templário.
A miragem de uma árvore me penetrou dentro da Linha Trilha de uma maneira grácil. No tempo em que eu absorvia os dizeres do mapa fomos, eu e Ânya Ydyug, expelidos do disco voador pela visão fantástica da árvore imaginada. A árvore se movia levando-nos por um corredor verde e cinzento. Dependurados nos seus galhos os plásticos preenchidos com pedras braseiras não causavam incêndios. Produziam calor. Por uma fenda nas paredes do corredor enxerguei o lado de fora da Estação Flutuante DPVD na qual nos encontrávamos. Vi dois coloridos círculos girando. Sob eles existia um muro deteriorado onde inscrições e desenhos de épocas antigas riscados grosseiramente com carvão acompanhavam a trajetória de um homem que poderia ser um liboririntáqueo ou um alienígena. A figura desenhada apontava o dedo indicador para si mesmo.
Com os pensamentos distantes achados no planeta desconhecido atinei-me que eu, por uma ordenação e por um progressista amor sem correrias, moraria em Liboririm.
- Vós terráqueo sereis instalado na cidade de Nesemix. -informou-me a recepcionista.
Segundos, minutos e horas não existiam mais. No final do corredor verde e cinzento a Encarregada do Setor de Recepção retirou o mapa do meu corpo e da minha mente de modo tão sereno que as minhas atenções e sentidos, emoções e razões sem que eu percebesse se achegaram à fé em Eudaips que fluía por todo o planeta Liboririm.
Percorrendo a distância retornei na velocidade Alfa Luz do passado dos drunhs. Feito faíscas saltamos da miragem da árvore candente. Compreendi ou já desejava que Liboririm existisse próximo e longínquo do planeta Terra. E desejei que fosse real as histórias prodigiosas das possibilidades de Liboririm estar estabelecido no universo contrário à confusão, à desordem e ao caos.
