- Não é necessário me dizer quem tu és. Sabes o tanto que te conheço meu caro Remejy Tofleg.
Quando o futuro começava a acontecer dava-me a impressão de que o futuro era um acúmulo sucessório de passados. Remejy Tofleg, um conhecedor, um liboririntático versado na faculdade de conhecer a minha liboririntática casa. O phelesgor'baxatic era um velho conhecido meu. De maneira nenhuma se incluía na classe dos liboririntáqueos que eu apenas ouvira falar. Ele foi um dos primeiros liboririntáqueos que conheci. Nunca mencionei o nome dele para ninguém, pelo menos até agora. Mas com certeza ele não mantivera silêncio a meu respeito.
- Obrigado Remejy Tofleg por estar em minha liboririntática casa mais uma vez.
Agradeci-o porque o amava.Para o tempo liboririntático e para os habitantes do planeta dos nove sóis no momento do passado em que cheguei a Liboririm na nave ALAOT-155 eu era uma criança, um ussungui. Remejy Tofleg surgiu e me pegou pelas mãos. Entramos em um baxatic. Levou-nos ao tshilafosnymit. Percorremos a área dedicada às crianças, ussunguis e ussungigius de pouca idade. Há nessa área um lago de águas verdes e borbulhantes. Entramos numa canoa feita de levíssimo metal. Os sóis contribuíram para a beleza daquele drunh. Súbito e alegre Remejy Tofleg retirou a vestimenta que cobria o seu tórax.
- Vamos navegar por todo o lago duoef ussungui. Remarei decidido porque não encontraremos o futuro se não garantirmos vida longa ao tempo presente.
Com destrezas o phelesgor'baxatic manejou os remos. Nossos olhares percorreram o tshilafosnymit dos ussunguis e ussungigius. Atravessamos o lago. Depois desse passeio, pequena jornada intensa, voltamos ao Setor de Recepção. Iniciei o processo de me tornar aos olhos dos liboririntáqueos um duoef de verdade.
No decorrer dos drunhs que vieram não era raro eu me encontrar com Remejy Tofleg porque ele me procurava. Achava-me onde quer que eu estivesse. Ainda que os silêncios me vestissem por inteiro eu seria descoberto pelo phelesgor'baxatic. Tantos foram os encontros que o céu de Liboririm se traduzia em testemunha da nossa união. A existência de Remejy Tofleg era benéfica. Fazia do liboririntáqueo elemento fortificante dos bons sentimentos às minhas memórias afetivas. Passei a nutrir por Remejy Tofleg sentimentos de filho. A sensibilidade se sobrepunha à inteligência e à vontade.
Os drunhs não se continham. Transformei-me no duoef antes de ir morar em definitivo na casa da Rua Hesb. Remejy Tofleg aparecia sempre na minha residência. Visitava-me nas manhãs, tardes, noites. Jamais me importunei com as suas visitas nem com o seu jeito por vezes presunçoso, vaidoso.
- Duoef, enfim regressastes! Sabei que não vos vigio. Venho à vossa casa porque gosto do duoef como um "pai" que ama o seu "filho".
Os sentimentos eram próximos. O lago do tshilafosnymit provável era não ter ido embora dos nossos olhares. A emoção nos entretinha. Então "o meu pai" mudava de assunto e se entrincheirava nos ares da vaidade.
- Duoef, "meu filho", estou com os pensamentos voltados para as novas paredes que a minha casa receberá nas próximas samenoas. Serão paredes construídas pelos melhores deproides de Nesemix. Nunca mais o duoef voltou à minha casa...
Havia me metido nos apegos às paredes da minha liboririntática casa. Nas ocasiões em que me ausentava da Rua Hesb sentia plenas saudades dos meus aposentos. Sim, era verdade que nunca mais regressei à casa do phelesgor'baxatic. E isso não significava que havia por muitas vezes ido à luxuosa morada do "meu pai" liboririntático. Tal casa não me causava distâncias. Todas as vezes que por lá estive me senti ótimo em suas maravilhosas acomodações. Bebíamos jivecs e outras bebidas. Alimentávamos-nos de sensacionais iguarias. Claro que a casa de Remejy Tofleg foi fundamental. O tempo forneceu à minha casa o tom essencial. Meu destino nunca foi urgente. Apenas amei o "meu pai" naqueles drunhs solitários, recheados de surpresas e buscas esperançosas.
Não era a minha intenção sair da Rua Hesb nos próximos drunhs. Ainda assim o destino liboririntático é irrefutável. O destino terrestre é sobrevivente das memórias.
Finalmente consegui falar do phelegor'baxatic. Neste momento e de hoje em diante tenho razões e coragem para conviver com os meus dois destinos.
Além de mim e das minhas sombras não havia mais ninguém dentro da casa da Rua Hesb. Nenhum liboririntáqueo sentado no sofá da sala à minha espera. Fechei a porta. Permaneci no interior da casa como se eu estivesse a um passo do inimaginável mundo do descanso.
