A tuscorytsma não descera do céu nem me apanhara de surpresa em algum lugar escondido, improvisado ou proibido. Alnie Neaemi viera para ouvir e principalmente falar. O seu modo de pronunciar o liboririnkes era nítido, cristalino. Sua voz penetrou nos meus sentidos. Fazia-me compreender o bom senso, o juízo, a cautela, a ideia, o intento e a significação dos vocábulos liboririntáticos.
- Duoef, sou preparada não para procurar e salvar. Vim para ouvir. Ouço-o desde que se iniciou a minha espera pelo terráqueo abduzido de alma poética. Ouvi com atenção o sangue correr nas vossas veias. Escutei a vossa sensualidade, as vossas faculdades intelectuais, o vosso raciocínio. Por ouvi-lo tanto assim não me desesperei com o silêncio nem com a solidão das vossas palavras terrenas. Agora chegou a vez de o duoef compreender o que vos digo. Ao duoef narrarei uma história cujo cenário será a própria Kacbayajhek, a cidade construída pelos vossos pensamentos.
Compreendi que eu seria conduzido pela audição a algum momento do meu passado liboririntático. Fiz menção de me sentar. A tuscorytsma se levantou. Convidou-me a caminhar.
O drunh se movimentou. Não se deixou identificar como manhã, tarde ou noite. Meu coração foi tomado por repentina saudade do sempre, do eterno.
- Duoef, o que tenho para vos contar começa com um pássaro, um ecsutruz voando sobre Kacbayajhek.
Caminhamos até um prédio muito alto. Meus pensamentos não me fizeram lembrar de ter pensado aquele edifício. Ao buscar com o olhar o topo da construção vi um pássaro desconhecido voar ao redor das últimas janelas. Não tardou e o ecsutruz entrou no prédio.
Alnie Neaemi, serena, prosseguiu a história.
- Duoef, o ecsutruz queria que o abduzido que o vira também entrasse no imponente edifício longo e estranho. O abduzido fez então o que o pássaro desejava. Entrou no prédio. O terráqueo descobriu ao explorar os interiores que aquela construção impensada, imprevista era na verdade uma nave alienígena.
Procurei pelo pássaro por todas as sinuosidades recônditas da nave. Ao encontrá-lo presenciei o ecsutruz deixar de ser ecsutruz. Transformou-se de maneira espetacular em um ser diferente dos liboririntáqueos. Um ser possuidor de um enorme traseiro. Recordei-me de Aksd Loqw, o abduzido oriundo do planeta Nfysn que encontrei no passado liboririntático dentro do nachayran, o brinquedo transportador. O "Traseiro Grande" de maneira nenhuma era um nfysnzarrim.
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| LAZETZALIVOX, O RINATHAELW AZ SEVUSM |
Origem deixara de existir. O vertiginoso crescimento de Kacbayajhek engolira a nova casa. Meu caminhar se preocupava em melhorar a cidade que eu havia construído. Por eu ser o construtor de Kacbayajhek não pensava no tempo como um propulsor do envelhecimento. Pensava-o como um acabamento final às articulações arquitetônicas da cidade.
Nesemix se tornara distante. Às vezes tão distante que a sentia no passado impossibilitado de regresso. Kacbayajhek fluía, ardia. Seus habitantes se movimentavam em suas milhares de cores.
Não me experimentava cansado. A exaustão não morrera porque não nascera, não existira. Num desses momentos que me encostava em algum lugar simples para admirar a paisagem ou refletir sobre a flor aberta pelo amanhecer ou porque queria provar da existência fora do tempo foi que pensei em ir embora de Kacbayajhek. Apesar deste pensamento ter me visitado com certa dose de fúria não me deixei abalar. Também não sabia como me retirar de Kacbayajhek. Constantes eram as minhas leituras das possibilidades de retorno a Nesemix.
Kacbayajhek envelheceria veloz. Era notório que o tempo liboririntático se rebelaria contra os meus pensamentos e agiria de maneira destruidora nas criações vestidas de imaginações. Os sustentáculos feitos de corpos não o suportaria. Tais pilastras corporais não possuíam metais suficientes para abrandar a correria da corrente do tempo.
Apesar da tragédia parada no ar a vida dos liboririntáqueos em Kacbayajhek era satisfatória. As ruas não se esvaziavam. Nos coretos sempre aconteciam atividades culturais. Cinemas e teatros viviam lotados. No solo e no espaço o trânsito funcionava. As praças forneciam descanso sob os sóis. O lazer se alongava pelo centro e pelo contorno da cidade. Kacbayajhek ao se encontrar com Kacbayajhek produzia atividades que davam a cada habitante da cidade o sentimento da realização.
