Os sóis jogaram os seus raios nas minhas costas nuas. Meus dedos se afundaram no chão do xyddrar. Puxei os dedos de volta e os lambi. O paladar se salgava. Fui à cozinha. Trouxe um copo de freono. Espremi a terra arroxeada de Liboririm. Partículas de sal caíram dentro do copo. Bebi o freono. Esparramei-me sobre o leito do xyddrar. Senti a natureza liboririntática. Agarrei-me aos pensamentos que davam rumo aos sentimentos.
Freono, a bebida branca e adocicada, misturada ao sal produziu-me a sensação real da juventude. A porta da mente se abriu. Alda de Jesus entrou nos meus pensamentos. Disse-me:
- Morta de dó volto para Nesemix daqui a pouco.
Lágrimas se multiplicaram nos meus olhares. Não eram lágrimas tristes. Eram lágrimas provenientes da liboririntática juventude da liberdade. Juntei-me à sorte de Alda de Jesus. Nesemix era mesmo uma cidade dominante de si mesma. Uma cidade grande que se recolhia às tranquilidades de uma aldeia.
Ainda deitado ao lado das flores do xyddrar contei aos grãos de sal. Alda de Jesus era bela, nobre e possuía ouro no coração. Apaixonara-se por mim quando nos conhecemos no pátio do colégio. Mesmo tomada de paixão e amor nunca pensou em se casar. Desejou seguir um caminho religioso. O amor a Eudaips a significou.
- Eudaips?
Minhas lembranças se confundiam com a realidade. O que a minha mente buscava no meu passado se dispunha a tomar vida em Liboririm.
Acreditei que não poderia ser assim. Rolei-me no chão do xyddrar. Impregnei-me mais ainda de sal. Afastei de mim as memórias de Alda de Jesus com o vento solar que de um overebut para o outro overebut me ergueu. Fui ao banheiro. Mergulhei nas águas turbulentas que nasciam das paredes. Lavei-me de corpo e alma. Depois de me secar pressenti que alguém estava à minha procura. Retornei ao xyddrar convencendo-me de que estar em Nesemix não se consistia pecado, justiça e julgamento.
Pressentimentos tinham a razão de ser. Mal pisei no xyddrar apareceu um liboririntáqueo de rosto engraçado.
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| PIKANUS ETRAZU, O VUOZATRA |
- Chegou num bom momento. As águas nas quais me lavei estavam inquietas, agitadas. Algo deverá estar errado com as paredes da casa?
- Memorialista duoef, darei o arrumo às paredes. Seja o que for não será mais. Vamos, olhe-me lá de fora da casa. Garanto-vos o conserto. Defendo diante de vós que Eudaips é a Divina Testemunha do meu vir aqui, do meu estar em vossa jovial presença.
O vento solar agiu outra vez. Carregou-me para a frente da casa que suavemente se fez transparente, translúcida. Admirado acompanhei com os olhares o vuozatra desmontar as paredes do banheiro refazendo-as com suas mãos ágeis, organizadas e de exatidões perfeitas.
- Aldeão duoef, não temais, não falais, não calais. A turbulência não está mais nas águas que te banham. Caminhais para o interior da vossa casa. Consertei as paredes e outras pequenas grandes coisas que o tempo liboririntático fez acontecer. Ah, duoef, se eu fosse vos contar os sorrisos e as lágrimas da minha juventude o drunh, insegogu, teria que se estancar. Eu não poderia ir embora. Não acreditais?
Pykanus Etrazu realmente foi embora. Deixou a minha casa liboririntática em perfeito estado. Tudo funcionando as mil maravilhas.
As minhas memórias se normalizaram. Equilibrei-me, sorri, chorei. Deixei o sal do chão para o chão.
As juventudes minha e de Alda de Jesus ainda existiam perdidas em algum xyddrar construído no longínquo tempo do planeta Terra.
Livre das turbulências bebi o restante do freono.

