67º DRUNH, TXETAGU / AS METADES DE DUAS NOITES

- Quem seria o pai do tempo?
Sobre a Gaizxftant o céu estava desnublado. As estrelas se sobrepunham transversais à escuridão. Ofal Notorj e eu ficamos parados sob o céu grandioso. Além da espetaculosidade cerúlea as três torres da Gaizxftant nos protegiam. Proteção que se estendia à totalidade de Liboririm.
- Protegido duoef, o vosso retorno à minha visão por mais que seja do meu conhecimento racional junta-se ao vosso empreendedorismo existencial. Tornei-me adulto sem desfrutar das magias da infância, das fantasias que com o passar dos konasts aos poucos se desprendem das purezas. Pode ser que eu seja o pai apenas do meu tempo. Fui premido pelos sonhos da minha mãe. Não a culpo por nada. Quanto ao tempo liboririntático dos momentos irreversíveis confio que Eudaips seja o generante. O tempo necessitava da vida. Eudaips ao criar Liboririm deu luz ao tempo. A luz, mãe da alma, é a fonte da vida.
A voz e o discurso de Ofal Notorj prosseguiram vigilantes no meu interior. Sem abandonar o seu posto o kvasthul girava o corpo mostrando-me detalhes da Gaizxftant e do céu. Visto das torres o horizonte ultrapassava belezas. Além do infinito avistavam-se imagens gráficas, fotográficas, digitais e holográficas de astros, asteroides, cometas e naves viajando ao redor do planeta. Qualquer tentativa de invasão alienígena seria detectada pela Gaizxftant bem antes que os invasores entrassem à força ou hostilmente em Liboririm.
- Construtor duoef, vosso coração igual a uma caixa está repleto de silêncios e sons. Nasci cristalino no destino correto. Como todo ser vivente executarei a Hetrotadem de uma maneira ou outra. Entre uma estrela e outra estrela o tempo se modifica em vida; entre um sol e outro sol a vida se ilumina pelo tempo; entre o nascer e o hetroaa o Universo nos mostra os inumeráveis olhares da esperança.
Realmente eu não conseguia encontrar dissabores nas palavras e nos silêncios de Ofal Notorj. Talvez em alguma parte da sua alma e do seu tempo existissem nuvens partidárias das guerras e dos seus apetrechos. Embora as dúvidas pudessem me indicar esta possibilidade senti que Ofal Notorj era um soldado pacífico. Liboririntáqueo talhado para cumprir com perfeição os deveres de kvasthul.
O silêncio é um adeus mutável. Calado Ofal Notorj se despediu. O portão fundamental de Gaizxftant no meu íntimo se abriu. Passei além me distanciando das três torres e do terreno alambrado.
As estrelas ainda contavam histórias na metade da noite. Pequenas e grandes histórias que me ajudaram a passar para o outro lado de Knavilap onde encontrei o caminho que me levaria a Nesemix. Alguma coisa indistinguível no tempo dizia-me que eu não conseguiria chegar a Nesemix tão rápido como poderia estar pensando que chegaria. De qualquer forma o meu coração batia forte com tampa ou sem ela.
Vi o drunh amanhecer. Caminhando presenciei a manhã compor poemas sob as asas em que se transformaram os meus pés. Deixei a tarde e as lonjuras de lado. Bem perto da outra noite encontrei um bys-har. Desejei beber jivecs.  Os sóis ainda tiveram tempo de rir da minha sede.
Eu estava em trecho movimentado do caminho. Senti os tremores dos movimentos causados por invisíveis liboririntáqueos e suas máquinas maravilhosas. Não alcancei a certeza de que o caminho naquele momento era uma estrada ou uma rua.
No bys-har havia um patsalvd em ação. Ao vê-lo me alegrei. Sentei-me no balcão próximo às suas patsaliracs feitas com os mais diversos materiais. Elas me causaram perturbação e estranhamento. Não consegui compreendê-las nem fornecer-lhes nomes rápidos. Mas confesso: as jivecs que bebi me fizeram gostar das patsaliracs.
- Provável duoef, construo as patsaliracs com matérias em bruto e com peças pré-fabricadas. Tento dar à alma e ao tempo uma forma em rasgos de imaginação. Bem-vindo ao bys-har. Eis a vossa jivec. Sou Exid Laan, o patsalvd.
As jivecs daquele bys-har tinham sabor de arte sem intenções passageiras. Pensamentos me perguntaram se em Liboririm eu vivia sonhando ou se eram os sonhos liboririntáticos que se definiam em mim.
- Móbil duoef, nos drunhs atuais minhas patsaliracs são vistas como dinâmicas, ritmadas, harmônicas, impulsivas. Nos drunhs futuros serão definidas como variedades de configurações que parecem infindáveis. Apenas parecem! Nos drunhs que permaneceram no passado as minhas patsaliracs não existiam e nem eu. Portanto duoef, não crio decorações nem monumentos...
Mentalmente comecei a produzir construções e ambientes. Exid Laan era um carismático. Insistia que eu bebesse outras jivecs. Bebemos juntos. Em alguns overebuts da sua excepcional individualidade e sinceridade fez do paralelismo qualidade especial.
- Escultório duoef, como pode perceber o tempo às vezes é uma cópia fiel da noite. Como pode ver com os seus próprios olhos o bys-har é o meu ateliê. Passo o tempo esculpindo a solidão porque raras são as vezes em que o bys-har é mais efervescente do que o ateliê. De maneira sincera peço ao duoef que continue a existir no bys-har pelo menos até a metade da noite.