Por todos os cômodos da casa ensolarada o tanfulyot me seguiu logo após que a sua cabeça com um leve empurrão nos retirou de dentro do espelho do habateni.
De pé, usando a forma dum agitado liboririntáqueo careca o tanfulyot não me abandonou num simples piscar de olhos. Enquanto no habateni eu lavava o rosto e as minhas mãos repletas de partículas de prata e alumínio ele, o tanfulyot, agora um sossegado lavrador em busca de lições musicais, falou-me que se chamava Krivu Essaut. Corri com uma toalha enrolada no pescoço.
Sequei-me no quarto presenciando a transformação de Ild-Niav-Tsaiw em lilases e falantes flores.
- Lavadiço duoef, não corra tanto. As coisas boas e ruins têm a ocasião certa, azada de acontecerem. Antecipo ao duoef que retornarei às entranhas do espelho. Pode ser que do espelho não mais sairei! Tal regresso ao espelho se dará quando Deylaa Ahnile principiar a busca pela filha.
- Quem é Deylaa Ahnile? -eu o inquiri.
Procurei informações a respeito de Deylaa Ahnile servindo-me da parte dos meus pensamentos que se negaram a partir rumo à cozinha da casa vívida do otyem-drunh.
Na cozinha a criatura viva do espelho do habateni tornou-se um efeito de luz alongado da parede à mesa. Ao ver Ild-Niav-Tsaiw como o agente, o motivo que determinava naquele momento a existência da minha visão em temor fechei rápido as janelas. Em fuga fui ao interruptor. Apaguei as lâmpadas da cozinha. A escuridão se defrontou com o tanfulyot Ild-Niav-Tsaiw. Deixei que se passassem dez overebuts. Reacendi as lâmpadas, reabri as janelas. O tempo já estava perto da noite. A cozinha reapareceu no lugar onde era a sala. Receei perder os sentidos e cair ao chão devido às tonturas que as sucessivas transformações do tanfulyot me causavam.
- Votivo duoef, vossas mãos são manápulas. Faça com que elas se agarrem aos vossos reflexos. Não há ilusões em vossa mente. A sala continua fixa no seu devido lugar no espaço arquitetônico da construção.
Pulando lancei as mãos ao espaço. Segurei com força nos reflexos das estrelas. Elas não se enganavam nem traíam o tempo da noite. Os dedos de Ild-Niav-Tsaiw em forma de constelações se reuniam em minhas manápulas.
Com os pés caminhando sobre os últimos momentos do tanfulyot em minha casa cheguei à sala. Vi uma idosa liboririntáquea que amparava, impedindo que caísse, a cabeça de uma jovem.
- Pulante duoef, sou Deylaa Ahnile. Estou dizendo à minha filha, Dytnaa Ahnile, que estou pronta para buscá-la esteja ela encerrada nas pedras ou nos labirintos de flores.
A idosa liboririntáquea não proferiu outras palavras. Silenciou-se. Correu ao habateni largando a cabeça da filha no vento que sempre chegava à Nesemix durante a noite.
No decurso do drunh apressei-me para chegar novamente ao habateni. No trajeto da sala ao espelho do habateni vi Deylaa Ahnile se metamorfosear numa flor distante. Também senti a proximidade do espelho. A flor ainda me sussurrou:
- Fazedor duoef, sou o tanfulyot Ild-Niav-Tsaiw. Inclua na vossa mente o fazer de uma coisa...
Eu não estava enguiçado. Não foi necessário que os reflexos das estrelas me soltassem nos ermos liboririntáticos. Compreendi a coisa da qual o tanfulyot se referia em silêncio. Determinado, resoluto e decidido esperei o temperamento, a índole, o caráter do espelho também se silenciar.
Ao se calar quebrei-o em nove pedaços num complexo piscar de olhos.
A destruição do espelho não me causou aflição e abatimento. Mesmo porque no instante em que os meus olhos fáceis e difíceis pararam de piscar ouvi o som da champnax.
A noite se fazia bonita. Ao abrir a porta uma criança liboririntática de nove konasts de vida sem estar esbaforida se apresentou.
- Piscante duoef, desculpe incomodá-lo quando a noite se mostra tão agradável e maravilhosa. Sou Gine Reggosy, a staasbgnilfy, e não pretendo me estender. Procuro por Dytnaa Ahnile, uma das minhas bgnilfys. Ela se perdeu de mim ao se assustar com a presença do tanfulyot Ild-Niav-Tsaiw no espelho do habateni da minha casa. Moro na Rua Trebalx. Fica próxima do início do Daktu Tanser.
- Conheço a Rua Trebalx. Por que não entra? A casa acabou de ser reformada...
A infantil staasbgnilfy entrou. Eu sem saber exatamente o motivo fiquei emocionado...
Mas não houve tempo para que nós conversássemos mais. Quando pensei que Gine Reggosy fosse aproveitar o largo assento duma poltrona, ela atravessou a sala e foi ao habateni. Segui-a me misturando à certeza da visitante e ao inegável desejo humano de conhecer segredos e negócios alheios.
Entramos no habateni. Uma bgnilfy com um artefato vermelho nas proximidades da tacicriz ocupava no chão o lugar dos nove pedaços do espelho. Gine Reggosy sorriu.
- Emotivo duoef, é ela, veja, é a minha bgnilfy Dytnaa Ahnile.
Com piscadelas nada intricadas e muito menos complicadas Gine Reggosy levantou do chão a bgnilfy. Aceleraram os passos e saíram da minha casa em direção da Rua Trebalx.
Fiquei comovido com a prematura ausência de Gine Reggosy. Agora eu sabia exatamente o motivo.
