Konhme, sem mínimos ou máximos, vivi o abatxegu entre as plantas e as flores do xyddrar. Egung Riorr, o xyddrajar, levou-me aos pontos mais recônditos do xyddrar da minha casa liboririntática. A cada trecho da visita maior era o meu envolvimento com o tratamento que o xyddrajar dava às flores. As plantas visivelmente cansadas e foscas se tornavam com os encontros, cuidados, apalpamentos e conversações de Egung Riorr verdadeiras formosuras de energias e brilhos. Por todo o decorrer do drunh me arrebatei com a beleza das flores se encantando com as mãos delicadas e técnicas do liboririntáqueo de rosto azulado. Sem ter a mínima vontade de deixar o xyddrar e entrar na casa preferi sob os sóis do Planalto dos Metais conservar-me ao lado do simplório e eficiente xyddrajar, que muitas vezes em silêncio me fazia ouvi-lo com tamanha atenção que comecei até a acreditar que a nossa comunicação era telepática.
- Extrassensorial duoef, estamos juntos neste xyddar a tanto tempo que os sóis do Planalto dos Metais não demorarão a trazer as estrelas a Nesemix. Meu trabalho no vosso xyddrar chegou ao fim. Como o duoef pode constatar alcançamos êxito nos cuidados com as plantas e as flores. Gostaria de continuar na companhia do xyddrar e claro na convivência com o duoef, mas como vos disse assim que chegastes ao xyddrar que hoje, abatxegu, é o drunh em que comemoramos a vida da deusa Fieflana não poderei ficar mais tempo em vossa companhia. Portanto vou seguir o meu caminho até as matas do Rio Graepia. É lá que eu sinceramente junto à natureza saberei buscar e achar porque ao bater nas portas da flora liboririntática elas se abrirão e poderei agradecer a Eudaips a força e a sabedoria que Fieflana me envia.
Sem fazer uso de espetaculosidades para ir embora, Egung Riorr recolheu os seus equipamentos de xyddrajarwy. Despediu-se com acenos prolongados. Passou pelo portão sem olhar para trás e devagar desceu pela Rua Hesb.
Quando os meus olhos não puderam mais ver o xyddrajar senti o vento precioso mover as plantas e as flores. Íntimo da natureza liboririntática esperei que surgissem as primeiras estrelas. Ao enxergá-las me retirei do xyddrar.
Depois de tanto tempo ausente entrei na minha casa. Todas as coisas pareciam estar do jeito que eu as havia deixado. Ao me aproximar da cama meu corpo deixou-se cair na sua própria vastidão e fadiga. Antes que eu dormisse ainda presenciei uma flor tentar pela janela penetrar no quarto. Por toda a noite sonhei com os exuberantes festejos à deusa Fieflana.
Sem ter vontade de acordar abri os meus olhos. Minhas mãos se mexeram sobre o lençol. Encontraram uma flor. A mesma flor da janela. Ela havia conseguido entrar no quarto. Quem poderia saber se a flor também não se introduzira nos meus sonhos?
A realidade estalou na transparência da janela. Os sóis corriam soltos no tempo e presos no espaço liboririntático. Achei a vida engraçada e séria. Não me calei. Apenas sorri para a flor. Levantei-me no momento em que considerei o overebut propício, favorável para que eu me dirigisse ao habateni sem o risco de tropeçar em móveis ou objetos. Esse overebut adequado aconteceu assim que a flor que passara a noite ao meu lado desapareceu sem deixar vestígios.
Apressado corri ao habateni. Urinei tanto que ao me apoiar na parede minha mão esquerda percorreu a distância que me separava do espelho. Contrário à minha vontade a mão puxou o espelho e o colocou diante do meu rosto. A imagem que vi me assustou. Os meus tímpanos pareciam explodir. Tive a sensação de estar carregando dentro da face uma pedra pertencente às portas do inferno.
- Este rosto não pode ser o meu! -reclamei com fereza.
De repente fui sugado pelo espelho. Não fui sorvido totalmente. Minha cabeça, tronco, braços e mãos foram chupados para dentro da superfície refletora. Com os sentidos perturbados ocorreu-me a lembrança dos espelhos do Cerne Noturno do Desejo. Estaria o novo drunh, minodgu, gerando esperança de reencontro com a ningeifaxa Andrim Herdzana? Infiltrou-me de anseios românticos e poéticos esta vaga expectativa.
A resposta chegou aos meus ouvidos que não explodiram. Ficaram tão assustados quanto os meus olhos. Uma estranha figura, ainda ao longe, aproximava-se das minhas vistas dilatadas.
- Esperançoso duoef, sou o Tanfulyot Ild-Niav-Tsaiw. Exclua da vossa mente duas coisas. Primeira coisa: o falso pensamento que eu possa ser uma miragem ou uma escultura em alto-relevo. Segunda coisa: que a minha posição neste espelho seja oposta à posição do duoef. Neste preciso momento estou sob o duoef. Para que eu chegasse onde estou agora necessitei sair do vosso xyddrar, atravessar a janela do vosso quarto, permanecer durante a última noite ao vosso lado e desaparecer sem deixar vestígios quando pressenti que o apressado duoef ao acordar correria ao habateni. Não fique temeroso. Inclua, sem mínimos ou máximos, um autêntico pensamento em vossa mente: foi Eudaips e a deusa Fieflana que me permitiram estar em vossa presença. E sem dúvida nenhuma Egung Riorr, o xyddrajar também deu uma mãozinha.
