O ar de tristeza e melancolia penetrou no rosto do driolssnevhax. Dissolveu e remodelou a fisionomia de Zenge Uessen, que agregando vapores ficou suspenso na atmosfera liboririntática.
Aos poucos as nuvens retomaram a brancura. A obscuridade foi se distanciando de Tolam. Os sóis flamejantes realçaram as sombras. Elas nada tinham de malevolências. Coisa alguma impedia os meus olhares a não ser a limitação, que eu acreditava ser temporária. A limitação que fora determinada à minha visão pelo Comando Apagogia, Conselho Esclabrim, Anjos das Pressagias ou até mesmo por Eudaips. O certo era que eu olhava para Tolam. Distinguia as construções. Não conseguia enxergar os transeuntes liboririntáqueos. Havia momentos que ouvia os seus rumores, os sons dos movimentos dos passos e os foguetes aeroespaciais, as aeronaves convencionais, os veículos autônomos e as barulheiras das ruas. Nada além disto. Acostumei-me a esta solidão. Não podia ver nuvens de liboririntáqueos. Esta exclusão visual não perturbava a minha serenidade.
Quanto mais alto o driolssnevhax ficava mais o céu se tornava azul, límpido. Exposto ao vento confiei nos meus movimentos cada vez mais aéreos. Algo me dizia que eu voava dentro de uma bola cheia de vento. Ainda assim os meus pés continuavam no chão fazendo os movimentos característicos de um caminhador.
Percorria a Rua Ulesboliq sentindo que a minha vida não era uma coisa vã. Ia de vento em popa para a Rua Hesb. Por que não me expressaria assim?
Quando a Rua Ulesboliq me pareceu não existir mais sob os meus pés, Tolam visitou as minhas lembranças com o objetivo de preencher o vácuo que viera à minha mente. Verificava-me leve. A noite se entrelaçou à direção que eu tomava e à velocidade que me invadia. Os meus pés ao serem tocados pelos brilhos das estrelas pareciam cataventos. Sob eles fulguravam as luzes dos prédios e casas de Nesemix. Tolam me conduzia em recordações outra vez à terverel de Lety Rasmes. Desta vez ao ver a terveler nada disse a ela. Caminhei sobrepondo-me aos cômodos anexos à terverel. Lety Rasmes não me viu. Eu havia chegado ao segundo e último passo para se chegar à Rua Hesb, em Nesemix.
O driolssnevhax me afirmara que o trajeto de volta a Nesemix seria longo. Falou-me ainda que o vento teria capacidade para ser a minha nave. O driolssnevhax estava correto em seus dizeres. As temperaturas se dividiam. O vento às vezes me trazia o calor. Ao variar a sua velocidade o vento era frio ao visitar as minhas memórias. As nuvens se mantinham elevadas. Sob elas eu viajava com exatidão matemática dentro de uma bola cheia de vento. E não era mais o algo, o qualquer coisa, que me dava as instruções porque quando as luzes do raiar dos sóis cobriram Nesemix com as nuvens do futuro dispensei mediações e rodeios ao pôr a minha vista em contato com o Daktu Tanser.
Respirei fundo e ao desembarcar não tive compaixão, pena, dó e pesar do tristonho amor de Lety Rasmes por Zenge Uessen nem do amor que se evapora do driolssnevhax pela terveler.
Meus pés se desaceleraram no tempo propício. Desembarquei no presente do Daktu Tanser. Recebeu-me o perfume de plantas, flores e a falta de encadeamentos lógicos dos cabelos dependurados nos arcos de metal do Daktu Tanser. Sozinho sem estar só andei do meu próprio lado ouvindo os pios dos draplis e os murmúrios dos zdruydens.
No final do Daktu Tanser aconteceu o início da Rua Hesb. Sempre foi assim. Pelo menos desde a abertura do Daktu Tanser.
Sem demoras entrei no xyddrar da minha casa liboririntática. Egung Iorr, o xyddrajar, ao me ver chegando não se afastou da xyddrajarwy ao proferir com entusiasmo a sua saudação.
- Retornado duoef, rogai, porquanto, a Eudaips, o Senhor de todos os liboririntáqueos, que irradie xyddrajars aos vossos xyddrars! Vim às vossas plantas e flores abençoado por Eudaips. O xyddrar da vossa residência, duoef, necessita de cuidados. Hoje, abatxegu, é o drunh que comemoramos o nascimento de Fieflana, a deusa da flora liboririntática.
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